Alimentação intuitiva: além do corpo

O ato de comer vai além de saciar a fome ou ingerir alimentos, pois a alimentação engloba relações sociais – como um jantar em família -, prazer, satisfação e nutrição. Mas também envolve restrições, dietas e uma busca pela saúde nutricional. Tentando dar mais leveza a naturalidade à alimentação, duas nutricionistas americanas, Evelyn Tribole e Elyse Resch, apresentam uma nova forma de equilibrar corpo e mente, trazendo mais benefícios e muito mais saúde à mesa: o comer intuitivo.

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O foco principal é desapegar das dietas restritivas que punem o corpo com a falta de algumas vitaminas e nutrientes, além de serem mentalmente desgastantes. Comer, na alimentação intuitiva, deve ser um processo natural, simples e satisfatório, dando atenção às vontades e desejos, mas também focando em alimentos mais naturais. Isso significa que a relação emocional com a comida é levada em consideração, afinal os prazeres relacionados aos doces, por exemplo, são sinais importantes para compor um equilíbrio mental e biológico.

Reestabelecer a relação com a comida parte de uma busca pelo bem-estar e respeito ao corpo, onde cada pessoa é capaz de reconhecer sinais de fome e saciedade, bem como a escolha dos alimentos, retomando a intuição de nutrição e minimizando os impactos na saúde orgânica e mental que as dietas podem causar.

Alimentação intuitiva engorda?

A alimentação intuitiva parte do princípio do reconhecimento de necessidades, desejos e saciedade. Ao longo da vida, cada pessoa desenvolve e aprimora o paladar, tendo preferências por determinados alimentos e sabores. Além do gosto, os alimentos também desempenham biologicamente estímulo do bem-estar, por exemplo castanhas, frutas e chocolate.

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Alimentos ricos em gordura, como fastfoods, também oferecem picos de satisfação ao corpo. Apesar de serem considerados sempre os vilões das dietas, alimentos calóricos e ricos em açúcar devem ser consumidos sem culpa quando o corpo tem vontade.

Isso quer dizer que o cuidado com a saúde e o peso estão eliminados da alimentação intuitiva? Não, apenas é necessário compreender as vontades e saciedade do organismo. Assim, você inclui os alimentos que deseja comer, de modo equilibrado e natural, reduzindo compulsões, refeições exageradas e prejudicando o processo alimentar.

Antes de iniciar um cardápio planejado no que você quer comer, é importante reestabelecer os critérios de alimentação. A compulsão alimentar se torna comum devido, sobretudo, às restrições severas que as dietas impõem. Isso faz com que a percepção da mente seja afetada quanto aos desejos, ou seja, invés de escolher conscientemente comer uma sobremesa, você acaba aproveitando aquela semana sem dieta para comer doces em todas as refeições.

Como a alimentação intuitiva pode ser saudável?

Fugindo da ideia de dieta, a alimentação intuitiva visa reestabelecer a relação saudável e amistosa com os alimentos. Seja naquele jantar de fim de semana, nos almoços diários ou quando você sente vontade comer um alimento diferente, como uma massa ou doce especial.

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Os princípios partem de compreender o corpo e aliar necessidades e bem-estar. Ou seja, o corpo tem níveis de compensação calórica e nutricional, então a fome e a vontade de comer determinados alimentos podem estar relacionadas à carência de vitaminas ou nutrientes. Também, ao fazer refeições mais pesadas, o corpo dá sinais de saciedade e equilibra naturalmente a refeição.

Assim como o objetivo principal é a busca pelo bem-estar, outros fatores como a inserção de alimentos menos industrializados, com menos químicos e a prática de atividades físicas favorecem hábitos saudáveis e trazem benefícios ao corpo e mente, aliviando estresse, liberando serotonina e endorfina e melhorando as funções do organismo.

Analise a relação do seu corpo com a comida

Na hora de fazer as refeições, é importante pensar na relação daquele momento com a comida. O seu corpo quer aquele alimento e se sentirá bem ou é um desejo compensatório para o estresse, por exemplo.

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O grande mal das dietas e restrições alimentares é sobrecarregar o emocional devido à privação de prazeres à mesa. Então o corpo e a mente começam a atribuir relações de prazer com alimentos proibidos nas dietas, fazendo parecer que a ingestão dele será muito mais prazerosa do que, de fato, será. Além disso, quase sempre a satisfação e bem-estar não acompanha o alimento, já que junto dele há uma relação de culpa.

Ao se reconciliar com o seu prato, sentindo prazer ao comer, nutrindo adequadamente seu corpo e equilibrando a mente, você adquire uma rotina mais saudável e uma percepção mais ampla de seu corpo. É possível aliar prazer, saúde e até mesmo emagrecimento através da intuição alimentar, eliminando dietas e adquirindo novas percepções de nutrição e bem-estar.